EUSTÁQUIO NEVES


A obra do artista mineiro é marcada pela maestria da interferência: física, química ou simbólica, ela cria novos significados e nos convida a pensar sobre aquilo que não se mostra de modo evidente. Registros do passado encontram o presente e evocam temas como racismo, identidade e memória, enquanto elementos pessoais se manifestam em séries como “Máscara de punição”. Nela, são unidas imagens do Museu do Escravo a fotos da mãe: “Ele decidiu não ignorar sua condição de negro no Brasil. [...] Sua obra é claramente direcionada e diretamente engajada com sua condição de negro e demonstra que está ciente de que as inúmeras facetas e condições não podem ser expressadas sem o reconhecimento da necessidade de retomar diálogos ancestrais”, diz o crítico de fotografia inglês Mark Sealy. A instalação "Outros navios", representa uma extensão de seu trabalho sobre o papel fotográfico. Ela reúne imagens das séries “Arturos”, sobre descendentes de um quilombo, “Boa aparência”, a respeito de anúncios de emprego que exigem “boa aparência” (forma velada de excluir negros), “Objetização do corpo”, sobre a ausência de negros na publicidade, e “Máscara de punição”. A elas se somam textos do período colonial, em que também se fala sobre a aparência de “negros fugidos”.

Nascido em 1955 em Juatuba, Neves vive e trabalha em Diamantina. Autodidata, estudou violão e química antes de se dedicar completamente à fotografia, no fim dos anos 1980. Participou da Bienal de Havana, da Photofesta, em Maputo, Moçambique, e do Ves Rencontres de la Photographie Africaine, em Bamako, no Mali.


Outros navios | Salvador, 2005





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