MARIO CRAVO NETO


Na obra do artista baiano, há uma cumplicidade afetiva com o objeto fotografado. É o profundo conhecimento do universo que retrata que permite a ele criar imagens que combinam rigor técnico e formal a uma forte carga emocional. Conhecido pelo olhar único com que retrata a religiosidade afro-brasileira, Cravo Neto apresenta aqui sua primeira instalação concebida para vídeo, que indica uma nova fase. O nome da obra está associado a um sonho em que Exu, o orixá mensageiro, olha o mundo do alto. Ela evoca o mar, a luz de espaços abertos, a história do Solar do Unhão, antigo complexo colonial com casa-grande e senzala. Nela, o mar é uma passagem entre dois mundos, o Brasil e a África. “A fotografia de Mario Cravo Neto não pode jamais ser pensada como um exercício de maestria técnica. É o veículo utilizado para materializar idéias, visões e arranjos da realidade. Não devemos nos prender a princípios formais para apreciar sua obra, apesar da destreza com que cria imagens que nos seduzem, ora por uma sensualidade que as torna deliciosamente táteis, ora por uma solenidade particular do objeto retratado”, diz a curadora Solange Farkas.

Cravo Neto nasceu em 1947 em Salvador, onde vive. Realizou as primeiras experiências em escultura e fotografia aos 17 anos. Nos anos 1960, estudou fotografia no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos. A partir da segunda metade da década de 1970 voltou-se para a fotografia de estúdio. Participou das Bienais de São Paulo, Havana e Lyon.





Somewhere over the rainbow
| Salvador, 2005



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