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PRESENÇA (E AUSÊNCIA) DE AFRO-DESCENDENTES
EM FILMES BRASILEIROS É DISCUTIDA NA MOSTRA PAN-AFRICANA DE
ARTE CONTEMPORÂNEA
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Mostra Pan-Africana de Arte Contemporânea
Encontro com cineastas e críticos de cinema
Domingo, 20 de março, às 16 horas
Auditório – Museu de Arte Moderna da Bahia
Av. Contorno, s/n°, Salvador /// Tel.: +71 3329-0660
Entrada franca |
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Apesar
de compor uma parte expressiva da população
brasileira, os afro-descendentes aparecem de forma pouco
freqüente e, muitas vezes, estereotipada na produção
de cinema e televisão no Brasil. A presença
(e, acima de tudo, a ausência) do negro na criação
audiovisual nacional é o assunto que será
abordado pelo pesquisador e escritor carioca João
Carlos Rodrigues na Mostra Pan-Africana
de Arte Contemporânea, que reúne pensadores
e artistas africanos e afro-descendentes em Salvador. Autor
do livro "O negro brasileiro e o cinema" (1988),
Rodrigues fala do ponto de vista simplificado que opõe
negros vitimizados e brancos algozes (nos filmes que se
passam no período colonial), dos arquétipos
e das caricaturas que se repetem, das relações
inter-raciais, e do número reduzido de diretores
negros no Brasil. |
“Outro arquétipo ambíguo e contraditório
é o Negão Revoltado. Por vezes adquire uma conotação
sexual amedrontadora; em outras se comporta como líder de
reivindicações comunitárias. Mas o mais das
vezes é um bandido ameaçador, ladrão, traficante
e assassino (vide ’Cidade de Deus’ (2002), de Fernando
Meirelles, entre muitos outros). Um número significativo
de intelectuais afro-brasileiros vê nisso um estereótipo
nocivo e de substrato racista. Há quem pregue um cinema em
que ’o negro não apareça de revólver
na mão’. Entretanto, enquanto os afro-descendentes
ocuparem os estratos mais baixos da sociedade, e formarem a maioria
absoluta da população carcerária, os cineastas
e roteiristas nada mais fazem do que se inspirar na realidade. Isso
certamente influencia a baixa auto-estima da população
negra e mestiça, num círculo vicioso e cruel”,
escreve Rodrigues no ensaio publicado no catálogo que acompanha
a mostra.
Ele participará de uma mesa-redonda da qual farão
parte também o cineasta Joel Zito Araújo,
diretor de “Filhas do vento”, que terá
pré-lançamento (em Salvador) na mostra e que reúne
o maior elenco negro da história do cinema nacional, o inglês
Rod Stoneman, especialista em cinema africano,
o ator Milton Gonçalves (do elenco de “Filhas
do vento”) e Abderrahmane Sissako, mauritano
que dirigiu “En attendant le bonheur – Heremakono”,
premiado no FESPACO 2003 e ganhador em 2002 do Prêmio da Crítica
Internacional de Cannes pelo mesmo filme.
A mostra Pan-Africana de Arte Contemporânea é produzida
pela Associação Cultural Videobrasil,
com curadoria de Solange Farkas, diretora e curadora
da Associação. O patrocínio é da Petrobras,
com apoio do Ministério da Cultura, e apoio
institucional da Fundação Cultural Palmares,
Embaixada da França no Brasil e Aliança
Francesa. Em 2000, em parceria com o curador Clive Kellner
e com apoio do SESC São Paulo, a Videobrasil realizou a Mostra
Africana de Arte Contemporânea, em São Paulo.
Participam da mostra o angolano António Ole,
a cubano-americana Maria Magdalena Campos-Pons,
os brasileiros Eustáquio Neves, Mario
Cravo Neto e Daniel Lima. A curadora Koyo
Kouoh apresenta em Salvador quatro nomes da vigorosa fotografia
contemporânea do Senegal. Eles representaram o país
na quinta edição dos Encontros da Fotografia
Africana BAMAKO (Mali). Na Sala Walter da Silveira será
apresentada a mostra “L’Afrique se filme”, que
reúne obras selecionadas representativas do Festival Pan-Africano
do Cinema e da Televisão de Ouagadougou, em Burkina Fasso.
Mostra Pan-Africana de Arte Contemporânea
MAM - de 18 de março a 17 de abril de 2005
Sala Walter da Silveira – de 19 de março a 29 de março
de 2005
Museu de Arte Moderna da Bahia (Solar do Unhão)
Av. do Contorno, s/n°, Salvador /// Tel.: +71 3329 0660
De 3ª a domingo, das 13 as 19 horas.
DIMAS | Sala Walter da Silveira
Rua General Labatut, 27 – Barris (prédio da Biblioteca
Pública Estadual)
Salvador // Tel.: +71 3116 8100
Patrocínio:
Apoio Institucional:
Apoio Cultural:
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