estratégias e riscos




O 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil confirma uma orientação que se desenhava havia uma década. A abertura a todas as manifestações artísticas dá curso à progressiva aproximação do Festival com o campo das artes visuais, em edições dedicadas a linguagens como performance e cinema, e marcadas por segmentos expositivos cada vez mais importantes.

A intensificação desse diálogo está em sintonia com a inserção crescente do vídeo e da imagem em movimento no circuito da arte contemporânea, na condição de ferramentas preferenciais de experimentação artística.

A mostra Panoramas do Sul foi construída a partir de um conjunto surpreendente de trabalhos inscritos, dos quais mais de um terço realizado em outras linguagens que não as tradicionalmente associadas ao Festival. Vindos de todas as regiões do território que é foco da mostra – América Latina, África, Leste Europeu, Oriente Médio, Ásia e Oceania –, eles compõem quatro recortes que balizam a curadoria e se materializam nos núcleos expositivos.

O primeiro, Cartografias do afeto, reúne trabalhos que podem ser entendidos como tentativas de criar representações possíveis para questões de ordem subjetiva – muitas vezes, a partir de percursos únicos, mas que se tornam língua comum. De formas diversas, lidam com uma sensibilidade de fronteiras – entre o pessoal e o coletivo, o indivíduo e a sociedade.

O segundo núcleo, Natureza e cultura, é composto por trabalhos que se perguntam como podemos nos reaproximar da história de forma livre, sem preconceitos herdados. A saída pode estar, ironicamente, na mais antiga estrutura do sistema da arte: o gênero. Aqui, os artistas o “habitam”, não em busca de conforto, mas como agentes subversivos. Não querem restaurar seu tecido esgarçado, mas produzir novas e poderosas fissuras.

Os artistas reunidos no terceiro segmento, Paisagens políticas, convocam para o campo das artes visuais – e seu circuito – dilemas até então pertencentes à esfera pública, social, compartilhada. Antigas oposições, como arte/política e local/global, são atravessadas pelo mesmo vetor. A estratégia revela uma potência que parece vir justamente da falta de receio de parecer por demais literal ou percorrer caminhos já trilhados.

As obras do quarto núcleo posicionam no centro do debate a noção de um mecanismo “gerador”, no sentido mais abrangente que o termo oferece. Expressa frequentemente na construção de dispositivos ópticos, que alteram o olhar e/ou propõem novas visões, a opção se configura, a um só tempo, como lugar de partida e de chegada. Entre um ponto e outro, abre espaço para que o novo, o experimental e o risco se imponham.

Solange Farkas
Curadora-geral do 17º Videobrasil
 
 

Os artistas Aya Eliav, Ofir Feldman reencenam a performance AAA_AAA, de Marina Abramovic | Art idol, 2010
Performance © Cortesia dos artistas

Wagner Malta Tavares | Helium, 2011, escultura | Foto de Karen Kabbani | © Cortesia do artista

Nazareno | Eu sempre soube, 2010, objeto | Foto de Eduardo Ortega | © Cortesia do artista

Rodrigo Bivar | Série Ubatuba, 2011, pintura | © Cortesia do artista e de coleção particular

Shaun Gladwell | Double Balancing Act, 2010, videoinstalação | © Cortesia do artista