seu corpo da obra


Primeira exposição individual do artista dinamarco-islandês Olafur Eliasson (1967-) na América do Sul, Seu corpo da obra se estende a três espaços diferentes de São Paulo, como parte do 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil. Eliasson concebeu as instalações site-specific da exposição como uma resposta direta à cidade e às situações arquitetônicas e funcionais que caracterizam as instituições anfitriãs: SESC Pompeia, Pinacoteca do Estado de São Paulo e SESC Belenzinho.Eliasson é conhecido por suas esculturas externas de grande porte, intervenções no espaço urbano e projetos arquitetônicos. Em Seu corpo da obra, insere deliberadamente seu trabalho e a experiência que sua obra oferece aos espectadores em situações espaciais marcadas pela ambiguidade entre “dentro” e “fora”.

No SESC Pompeia – originalmente uma fábrica de tambores com áreas internas e externas, galpões e ruas, transformada em centro cultural na década de 1980 pela arquiteta Lina Bo Bardi –, suas obras dialogam com os aspectos públicos de aprendizado e lazer da “cidadela” de Lina. Na Pinacoteca, o artista usa o espelho como ferramenta óptica para tratar de geometria e percepção, e conversar com a arquitetura do edifício – originalmente clássica, mas objeto de uma célebre intervenção recente do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Para o recém-inaugurado SESC Belenzinho, Eliasson propõe uma projeção de luz em mutação contínua.

Os processos de percepção e construção da realidade estão no centro da pesquisa artística de Olafur Eliasson. Obras que incorporam leis conhecidas da física, neurologia e óptica convidam o espectador a experimentar fenômenos naturais como neblina, luz, cor e reflexos. Muito embora as instalações do artista em geral se pareçam, ao nascer, com o cenário de um experimento, seu interesse não reside no aspecto científico, mas na participação ativa do espectador na criação de determinados fenômenos, por meio de uma interpretação para a qual se serve de seu corpo, de seus sentidos e de seu conhecimento.

A obra de Olafur Eliasson deixa claro que muito do que percebemos não está fisicamente fora de nós, mas acontece, de fato, em nosso sistema sensorial. Os filtros azuis e amarelos de Seu corpo da obra (2011), por exemplo, criam o verde em nossa retina, não no espaço. Suas esculturas são como ferramentas que modificam nossa visão de mundo; o prazer lúdico de sua obra nada mais é, na essência, que o prazer da percepção, do aprendizado e da compreensão de nós mesmos.

Enquanto as obras expostas no SESC Pompeia e no SESC Belenzinho se concentram na percepção humana das cores e na construção do espaço individual e coletivo, a peça principal da mostra na Pinacoteca, Microscópio para São Paulo (2011), composta de grandes espelhos, transforma um dos pátios do prédio em um caleidoscópio gigante.

Seu corpo da obra oferece um panorama abrangente da produção de Olafur Eliasson, reunindo não só trabalhos anteriores – como Waterfall (1998) e Take your time (2008) –, mas também projetos criados especialmente para São Paulo, como Sua cidade empática (2011), projeção de filme e de cores comissionada pelo Festival e criada em colaboração com o cineasta brasileiro Karim Aïnouz (imagem abaixo).

Seu corpo da obra foi concebida como uma experiência integral, com impressões que se acumulam e convergem no corpo dos espectadores que visitam seus três diferentes segmentos. No caminho entre eles, ao seguir a geografia temporária que a exposição propõe para São Paulo, o espectador é atirado de volta à realidade de seu cotidiano, repleto de responsabilidades e de decisões a tomar.

Jochen Volz
Curador da exposição e diretor artístico do Instituto Inhotim (MG)

Olafur Eliasson | Take your time, 2008 | Vista de instalação no PS.1, Nova York (208)
Foto Christopher Burke, © 2008 Olafur EliassonOlafur Eliasson | Seu planeta compartilhado, 2011 | Foto Studio Olafur Eliasson
Cortesia do artista, Tanya Bonakdar Gallery, Nova York, neugerriemschneider, Berlim, © 2011 Olafur Eliasson.

Olafur Eliasson | Waterfall, 1998 | A instalação na Bienal de Sydney, Austrália
Fotos Studio Olafur Eliasson | Cortesia do artista, Tanya Bonakdar Gallery, Nova York, neugerriemschneider, Berlim, © 2011 Olafur Eliasson.